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pelo Massa Grossa

Bem-estar & Mente14 de agosto de 2026·7 min de leitura

O que vem depois da decisão de mudar

Aprendendo a habitar a nova versão de si mesma

Paula Guimarães

Paula Guimarães

Empreendedora na área de beleza e saúde | Bióloga | Terapeuta Capilar

Paula Guimarães, autora do artigo sobre transformação pessoal

Foto: Acervo pessoal Paula Guimarães

No meu último artigo, escrevi sobre o que aprendi depois de anos cuidando de outras pessoas. Hoje existe um aprendizado bem diferente: o que acontece quando decidimos mudar a própria vida.

Não cabe em uma transição de quinze segundos

O que vem depois de uma grande mudança de vida não cabe em uma transição de quinze segundos.

Às vezes fico frustrada me comparando com vídeos nas redes sociais, nos quais, em alguns segundos, uma pessoa muda de cidade, troca de profissão, termina um relacionamento, encontra um novo amor e parece finalmente viver a vida que sempre quis.

Na vida real, não é assim.

Ando esperando por aquele momento em que tudo faz sentido. Por aquela história bonita de superação em que o sofrimento, a confusão e as dúvidas finalmente se revelam parte de um propósito maior.

Tenho me identificado cada vez mais com pessoas que mostram o percurso e os bastidores reais. Não porque o resultado não importe, e ele importa muito, mas porque existe algo profundamente reconfortante em perceber que outras pessoas também estão atravessando o caos.

É humano.

Talvez seja justamente isso que nos conecte.

Três etapas de toda transformação

Nesse período de tantas mudanças, comecei a perceber que quase toda transformação passa por três etapas.

A primeira é quando a raiva, a frustração, o incômodo, a tristeza ou simplesmente a sensação de que algo já não cabe mais dentro de você despertam o desejo da mudança.

A segunda é quando a coragem grita e você toma a decisão. Gosto de pensar que coragem é agir com o coração. Não significa não ter medo, mas agir apesar dele, guiado por ele.

É nesse momento que você decide entrar na arena. Você não sabe exatamente o que encontrará do outro lado. E, sinceramente, na maioria das vezes ninguém sabe.

O depois é um território estranho

Mas existe uma terceira fase sobre a qual quase ninguém fala: o depois.

O depois não é o final feliz.

É um território estranho.

Você já não vive a vida antiga.

Mas a nova ainda não parece sua.

Numa manhã dessas, tomando meu chá de todo santo dia, encarava os muitos espaços ainda vazios na minha agenda. Eu sabia exatamente do que era capaz. Sabia da minha experiência, da minha história, de tudo o que construí profissionalmente. Ainda assim, aquela agenda pouco preenchida pareceu um soco no estômago da minha autoestima.

Foi difícil não pensar: e se eu tiver errado?

Eu havia mexido em quase tudo ao mesmo tempo. Levei meu salão, que hoje administro à distância, para o melhor bairro de São Luís, um plano que estava no meu coração havia mais de sete anos. Mudei pro outro lado do país para um lugar que combinasse com as minhas escolhas de vida e aqui abri um novo negócio. Coloquei boa parte das minhas economias nesse recomeço e, ao mesmo tempo, precisei diminuir meu padrão de vida.

Paula Guimarães no Ateliê 28
Foto: Acervo pessoal Paula Guimarães

Às vezes me sinto culpada por ter virado um furacão e tirado tanta coisa do lugar. Talvez fosse mais fácil continuar colocando sonhos e vontades para baixo do tapete, mantendo tudo sob controle e chamando isso de estabilidade.

Mas há uma voz dentro de mim que insiste em dizer: acalma o coração. Dá tempo ao tempo. Faz a sua parte.

E talvez seja exatamente isso que eu esteja aprendendo agora: que abrir mão do controle é parte da mudança.

Mas a pergunta continua aparecendo.

E se tudo der errado?

Mas, e se tudo der certo? Ou se uma parte der errado, mas o que der certo valer a pena?

A reconstrução exige humildade e paciência

As expectativas são altas quando decidimos mudar. Afinal, só deixamos para trás o que já não faz sentido porque acreditamos que existe algo melhor.

Só que a reconstrução exige humildade e paciência: esse "melhor" quase nunca chega na velocidade que imaginamos. Às vezes demora tanto que começamos a desconfiar da própria decisão.

Sabe quando você perde alguma coisa e só encontra quando já tinha desistido de procurar?

Com as grandes mudanças da vida acontece algo parecido. Os resultados nem sempre aparecem quando estamos ansiosos por eles. Mas não tem jeito: se queremos resultados diferentes, existirá o desconforto de não saber quando eles virão.

Isso dói.

Assusta.

Cansa.

Errar nunca foi tão humano

Queria poder escrever este texto contando um final feliz, pronto e bem envelopado. Mas a verdade é que a minha história ainda está sendo escrita. E nem todas as palavras são bonitas e inspiradoras.

Talvez seja justamente esse o preço de uma história que continua em movimento: ela ainda acumula tropeços, revisões e capítulos mal resolvidos.

Esses erros ficam ainda mais amargos quando acontecem diante de uma plateia. Afinal, mostrar vulnerabilidade em uma época que premia performances impecáveis talvez seja uma das maiores coragens de hoje.

Só não faça dos erros moradia.

Eles vão acontecer. Já aconteceram. E continuarão acontecendo, em todas as formas verbais.

Entre erros e acertos, a história continua sendo escrita.

Agora, cercados por respostas cada vez mais perfeitas da inteligência artificial, talvez a nossa humanidade esteja justamente naquilo que permanece imperfeito.

Errar nunca foi tão humano.

Talvez seja cômodo demais julgar uma decisão antes de conhecer o fim da história. E talvez ainda seja cedo demais para saber onde sua escolha vai dar.

Em que parte da travessia você está hoje?

Paula Guimarães na praia
Foto: Acervo pessoal Paula Guimarães

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Paula Guimarães

Sobre o autor

Paula Guimarães

Empreendedora na área de beleza e saúde | Bióloga | Terapeuta Capilar

Empreendedora há 16 anos na área de beleza e saúde. Bióloga, pós-graduada em Tricologia e Cosmetologia, cabeleireira e terapeuta capilar. Cantora e escritora, suas outras formas de arte.

@apaulavirginia

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