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pelo Massa Grossa

Turismo & Experiências01 de agosto de 2026·9 min de leitura

Jornada Atacama: o sonho que construímos juntos sobre duas rodas

Entre paisagens infinitas, desafios na estrada e encontros inesperados, Joelma e Sebastião percorreram milhares de quilômetros de moto do Brasil ao Chile

Joelma Vaz

Joelma Vaz

Harleyra 🏍️

Vista aérea da Mão do Deserto no Atacama com as motos de Joelma e Sebastião ao lado

Foto: Acervo pessoal Joelma e Sebastião

Entre os dias 11 de outubro e 12 de novembro de 2024, vivi uma das experiências mais incríveis da minha vida ao lado do meu marido, Sebastião. Há muito tempo, nós sonhávamos em fazer uma grande viagem de moto até o Chile, atravessando estradas pouco movimentadas, conhecendo lugares diferentes e sentindo de perto a imensidão do deserto do Atacama.

A manhã em que a aventura começou de verdade

Naquela manhã em Curitiba, estávamos em frente ao hotel onde tínhamos nos hospedado. Até aquele momento, eu pensava que o projeto já estava pronto, com todas as paradas planejadas e tudo organizado. Mas foi ali, olhando para as motos e para a estrada que nos esperava, que percebi que a viagem estava realmente começando. A partir daquele instante, começava uma aventura cheia de descobertas e sem saber exatamente o que iria acontecer nos dias seguintes.

O presente do garçom e o aniversário em Posadas

Viajar por países desconhecidos trouxe algumas preocupações antes de sairmos. Eu tinha um certo receio sobre a visão que as pessoas de outros países poderiam ter dos brasileiros. Mas a viagem me mostrou exatamente o contrário.

Em Posadas, saímos do hotel para abastecer as motos e tomar café. Pedi uma "média luna" (como eles chamam o croissant) e gostei tanto que comentei baixinho com meu marido. O garçom ouviu nossa conversa e, sem que esperássemos, trouxe mais duas para nós, como presente. Coincidentemente, aquele era o dia do meu aniversário, 20 de outubro. Acabamos cantando parabéns ali mesmo, com aquele garçom que mal nos conhecia. Tiramos foto juntos e guardamos esse momento com muito carinho.

Joelma, Sebastião e o garçom em Posadas, Argentina — aniversário surpresa com média luna
O garçom que transformou um café da manhã em Posadas numa festa de aniversário inesquecível

A Mão do Deserto e o Pacífico que apareceu de repente

Ao longo do caminho, vivemos momentos que vão ficar para sempre na minha memória. Um dos trechos que mais me marcou foi quando vimos a Mão do Deserto. Eu nunca imaginei que um dia estaria naquele lugar que tantas vezes vi apenas em fotos.

Mas houve outro momento ainda mais especial. Estávamos na estrada, cercados apenas por montanhas, quando meu marido me disse que, mais à frente, teríamos uma vista incrível. De repente, senti o cheiro do mar (aquele cheiro característico de peixe) e, quando menos esperava, apareceu diante dos meus olhos o azul mais bonito do mundo: o Oceano Pacífico. Foi impossível não me emocionar.

Joelma pilotando sua Harley-Davidson na estrada costeira com o Oceano Pacífico ao fundo
O azul mais bonito do mundo: o Pacífico apareceu de repente entre as montanhas

O trecho que nos testou de verdade

Nem tudo foi fácil. O trecho entre Tafí del Valle e Cafayate foi, sem dúvida, um dos mais desafiadores para nós dois. Na subida da serra, enfrentamos muito frio, chuva e neblina. Em alguns momentos, mal conseguíamos enxergar a estrada, que seguia em curvas e zigue-zagues. Eu fui na frente, enquanto meu marido vinha me orientando e me dando segurança. Seguimos devagar o tempo inteiro, não apenas por causa das condições da estrada, mas também pelos caminhões que passavam por ali.

Depois de muito esforço, o sol apareceu e acabou secando nossas roupas, mas o desafio ainda estava longe de terminar. Chegamos a um trecho completamente esburacado, em manutenção, e tivemos que redobrar a atenção. Quando pensamos que o pior já tinha passado, descobrimos que a ponte estava interditada. Não havia alternativa: precisávamos atravessar o leito seco do rio com as motos.

Confesso que parei por alguns minutos. Foi um momento de medo e insegurança real. Mas recebi todo o apoio do Sebastião para encontrar coragem e seguir em frente. Fomos acompanhando as marcas deixadas pelos pneus de outros veículos que já tinham passado por ali. Foram momentos tensos, daqueles que fazem a gente duvidar se vai conseguir, mas conseguimos superar juntos. Em nenhum instante pensamos em voltar. Quando um balançou, o outro segurou.

Joelma na Harley-Davidson em trecho de serra com montanhas e sol ao fundo
O trecho entre Tafí del Valle e Cafayate: frio, neblina e a estrada que testou nossa coragem

O Atacama: pisar onde só imaginava ver

Quando finalmente chegamos ao Atacama, a sensação foi de sonho realizado. Eu nunca imaginei que pisaria naquele lugar. Era emocionante ver a reação das pessoas que chegavam por lá. Algumas até se ajoelhavam, tamanha a emoção. Ver aquilo me fez perceber o quanto aquele destino significava para tantas pessoas.

Ao mesmo tempo, senti uma mistura de medo e prazer. Medo por estar em um lugar totalmente desconhecido, que eu conhecia apenas pela televisão e pelo YouTube. E prazer por viver aquilo de verdade, ao lado do meu marido e das nossas motos.

A fronteira de volta e o filme que passou na cabeça

Na volta para casa, quando chegamos à fronteira com o Brasil (ainda em um posto da YPF, na Argentina, próximo a Dionísio Cerqueira), uma emoção muito forte tomou conta de mim. Pedi para o meu marido gravar um vídeo porque eu queria agradecer por tudo o que tínhamos vivido.

Naquele instante, em poucos minutos, passou um filme pela minha cabeça: as paisagens, os desafios, as amizades e todos os momentos que compartilhamos. A certeza era uma só: tudo tinha valido a pena.

Quando já estávamos nos afastando das montanhas que nos acompanharam durante tantos dias, meu marido comentou que tudo aquilo estava ficando para trás. Foi então que percebemos que nossa aventura estava chegando ao fim. E, ao mesmo tempo, sentimos uma enorme sensação de vitória, de missão cumprida e de orgulho por termos realizado exatamente aquilo que planejamos.

Sebastião de capacete na entrada do Túnel Internacional Cristo Redentor, com montanhas nevadas ao fundo
Cruzando fronteiras: o Túnel Cristo Redentor entre Argentina e Chile

O que fica depois de tudo

O mais curioso é que, em nenhum momento, nos sentimos cansados. Pilotávamos todos os dias, conhecíamos lugares novos e vivíamos experiências diferentes. Afinal, aquilo não era apenas uma viagem. Era a realização de um sonho que construímos juntos e que, agora, faz parte da nossa história.

Nossa aventura começou no Brasil, saindo de Curitiba e seguindo rumo ao Chile. Foram muitos quilômetros percorridos, paisagens que pareciam não ter fim e uma sensação de liberdade difícil de colocar em palavras. Cada trecho da estrada trazia uma nova surpresa: montanhas, cidades pequenas, desertos e cenários que pareciam saídos de um filme.

Uma das partes mais especiais foi o contato com pessoas de diferentes lugares. Fizemos amigos de várias nacionalidades, tanto moradores locais quanto outros viajantes que, assim como nós, estavam vivendo suas próprias aventuras sobre duas rodas. Foi muito bonito perceber como a estrada aproxima as pessoas, mesmo quando elas falam idiomas diferentes.

E enquanto deixávamos aquelas paisagens para trás, também percebíamos que já estávamos prontos para a próxima aventura.

Joelma e Sebastião segurando o quadro da Jornada Atacama com o mapa da rota completa
Missão cumprida: Sebba e Jó com o mapa da Jornada Atacama — 12.863 km percorridos

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Joelma Vaz

Sobre o autor

Joelma Vaz

Harleyra 🏍️

Joelma Vaz é apaixonada por estradas e aventuras sobre duas rodas. Ao lado do marido Sebastião, já percorreu milhares de quilômetros de moto pelo Brasil e América do Sul, incluindo a travessia até o deserto do Atacama, no Chile.

@joelmavaz_

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