Protagonismo com Leveza: sua carreira é pessoal e intransferível
Assumir o protagonismo da própria carreira não significa controlar tudo, mas fazer escolhas mais conscientes ao longo da jornada.
Carol Sousa Russe
Orientadora de Carreira | Profissional de RH | Professora Universitária
Se alguém me dissesse, vinte anos atrás, que um dia eu trabalharia em RH, orientando carreiras e escrevendo sobre o mundo do trabalho, provavelmente eu acharia difícil acreditar. Isso porque a minha trajetória não foi linear. Comecei a carreira com expectativa de atuar em escola, unicamente.
Ao longo dos anos, fui estudando, mudando, aceitando novos desafios e descobrindo interesses que nem imaginava ter. Vieram especializações, um mestrado, novas responsabilidades e muitos recomeços.
Olhando para trás, percebo que nenhum desses passos aconteceu porque alguém decidiu por mim. Recebi oportunidades importantes, encontrei líderes que confiaram no meu trabalho e pessoas que abriram portas (sou profundamente grata por isso). Não foi fácil dizer sim para algumas escolhas. No início da minha trajetória, a insegurança era minha marca pessoal e eu jamais me imaginei ocupando os lugares que ocupo hoje. Mas arriscar fazer coisas pela primeira vez e ousar ocupar espaços inimagináveis foi construindo cada tijolinho da minha jornada até aqui.
Houve também uma parte que ninguém poderia fazer no meu lugar: escolher continuar aprendendo, assumir responsabilidades, pedir feedback, rever planos e, algumas vezes, recomeçar. E nessa jornada me consolidei como profissional de RH, professora, mentora e pesquisadora. Testando, errando, aprendendo, acertando e vivenciando novas possibilidades e experiências. E foi assim, errando e acertando, que compreendi que carreira é algo muito pessoal e uma jornada de escolhas e protagonismo.
Vejo com muita frequência profissionais que acreditam que a carreira depende principalmente da empresa, da liderança ou da oportunidade certa.
É claro que esses fatores influenciam, que existem organizações que desenvolvem mais do que outras, líderes que inspiram e momentos econômicos que favorecem ou dificultam o crescimento. Ignorar isso seria simplificar uma realidade muito mais complexa.
Mas eu gosto de pensar que a carreira é, acima de tudo, uma sequência de escolhas e isso muda completamente a forma como enxergamos o protagonismo. Para mim, ele não tem relação com controlar tudo o que acontece, mas com assumir a responsabilidade pelas decisões que estão ao nosso alcance.
E é por isso que, quando me perguntam o que significa ser protagonista da própria carreira, a resposta nunca passa por fazer mais cursos, aceitar qualquer oportunidade ou dizer "sim" para tudo.
Para mim, protagonismo é saber escolher. É entender para onde você quer caminhar e tomar decisões coerentes com essa direção.
E, muitas vezes, o maior erro normalmente não é a falta de iniciativa. Na verdade, muitas pessoas fazem bastante coisa.
O problema é fazer as coisas sem uma direção clara: acumular certificações, mudar de empresa repetidamente, aceitar desafios que aparecem pelo caminho, sem refletir se essas decisões aproximam da carreira que realmente desejam construir.
O protagonismo aparece nas pequenas escolhas do dia a dia: buscar um feedback antes da avaliação formal, aprender uma nova habilidade, cultivar boas relações profissionais, atualizar o currículo antes de precisar dele ou conversar com alguém que possa ampliar sua visão de carreira.
Ser protagonista da sua carreira também requer que você se exponha mais, esteja mais aberto para fazer diferentes conexões dentro e fora da empresa e se envolver em diferentes projetos. Mas o olhar não deve ser para uma promoção, por exemplo. Mas para aprender, ampliar horizontes, vivenciar novas experiências para que as suas escolhas sejam cada vez mais cuidadas.
Nenhuma dessas atitudes muda uma trajetória da noite para o dia, mas essas pequenas decisões constroem tijolos e caminhos para a sua jornada.
Mas você pode pensar que tudo isso é coisa demais pra você e esse é um ponto extremamente importante: o seu ritmo e o seu conceito de sucesso. É super possível buscar crescimento e resultado sem transformar a carreira em uma corrida permanente.
Leveza, para mim, tem muito mais relação com respeitar o próprio momento, fazer escolhas conscientes e não carregar o peso de corresponder às expectativas de todo mundo.
As redes sociais mostram promoções, certificações, mudanças de cargo e conquistas todos os dias. E, sem perceber, começamos a acreditar que estamos atrasados.
A verdade é que cada carreira tem seu próprio tempo.
Sempre terá alguém encerrando ciclos, começando a sua jornada, outros recomeçando e há quem esteja conciliando trabalho, filhos, estudos ou o cuidado com alguém da família. Comparar trajetórias tão diferentes nunca será um bom critério para medir o próprio sucesso.
Então, antes de terminar este texto, quero deixar um convite.
Na próxima pausa para um café, reserve alguns minutos para responder três perguntas:
O que eu aprendi nos últimos meses que me tornou um profissional melhor?
Qual habilidade será importante para o futuro da minha carreira?
O que depende exclusivamente de mim para dar o próximo passo?
Talvez você ainda não tenha todas as respostas, mas o simples fato de fazer essas perguntas já é um ato de protagonismo.
Porque sua carreira pode receber apoio de muitas pessoas, pode ser inspirada por grandes líderes, pode ser impulsionada por boas oportunidades.
Mas ela continuará sendo, acima de tudo, pessoal e completamente intransferível.
Sobre o autor
Carol Sousa Russe
Orientadora de Carreira | Profissional de RH | Professora Universitária
Maranhense, casada e mãe de 2 príncipes. Sou uma profissional multicarreira que utiliza o contexto organizacional, a pesquisa, a docência e a orientação profissional para ampliar repertórios, fortalecer identidades e ajudar as pessoas a fazerem escolhas bem cuidadas sobre a sua carreira.
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